Enquanto alguns estados do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, já produziam longas-metragens desde pelo menos o início dos anos 1900, Alagoas só produziu seu primeiro longa-metragem em 1933. E ainda assim mudo, enquanto os outros estados já produziam os famosos "falados e cantados". Logo no início de 'Casamento é Negócio?', dirigido por Guilherme Rogato e codirigido por Etelvino Lima, já somos apresentados a um texto: "O pensamento de que Alagoas também podia concorrer para a evolução da cinematografia nacional, é que encetámos este modesto trabalho, esperando que o distinto público saberá medir o nosso esforço dentro de nossas possibilidades.". Os atores que participaram da obra? Todos amadores. O próprio enredo do filme, por mais simples que seja, sendo a clássica história de uma disputa de dois rapazes, um rico e o outro pobre, por uma bela moça, ainda faz questão de destacar pontos de Maceió, capital de Alagoas e onde o filme foi filmado, como as praças Deodoro e D. Pedro II, que existem até hoje, ou a lagoa Manguaba, a maior laguna do estado. Analisando a filmografia de Rogato anterior a este, é perceptível como suas obras, assim como 'Casamento é Negócio?', exploravam o estado de Alagoas, como nos curtas 'Carnaval em Maceió' , 'A Inauguração da Ponte Victória', 'Homenagens ao Governador Fernandes Lima' e 'Carnaval de 1926', que, mesmo estando atualmente perdidos, os títulos são bem literais e nos dão uma ideia de seu conteúdo. "O carnaval de 1926 em Maceió, Alagoas. A fita apresentava cenas rodadas na "Rua do Comércio, nas proximidades do antigo Relógio Central, e em diversos locais"", diz a sinopse de 'Carnaval de 1926'. É tão legal ver essas imagens em movimento tão antigas do meu estado, ver como as coisas mudaram, evoluíram. Alagoas também faz cinema, assim como todo o Brasil. 'Casamento é Negócio?' é um clássico do cinema mudo brasileiro e um clássico do (ainda) pouco explorado cinema alagoano.
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