
Deadpool & Wolverine2024
Aug 28, 2026 · imported from Import
Um dos aspectos dos primeiros dois filmes do Deadpool que eu mais gosto é o relacionamento dele com a Vanessa. Por ela ser (até certo ponto) uma pessoa normal que só participa da piada se for realmente uma piada que alguém poderia possivelmente fazer na vida real, conversando com sua namorada, parece mais ligada à realidade. Em Deadpool & Wolverine, esse relacionamento é deixado de lado, com uma justificativa “in-universe” extremamente fraca, para que a dupla principal possa ser o foco. O casal não está dando certo junto…mas por que? Esse drama relacional vai ser super importante para o protagonista mas extremamente jogado pra gente. A justificativa técnica para isso é a necessidade de juntar o par principal, Deadpool e Wolverine. A dinâmica entre os dois, que parecia ser a proposta mais atraente do filme, só é importante em pequenos momentos. O filme parece esquecer o potencial da junção desses personagens por precisar também equilibrar vários outros elementos. Se essa falta de um relacionamento realmente interessante fosse compensada por uma comédia consistente, ou cenas de ação bem filmadas eu estaria feliz. A cena de abertura começa muito engraçada - abraçando o entendimento da maioria da audiência que “ressucitar” Logan parece ser uma ideia de mal gosto - e vai se extendendo até perder a graça e virar uma cena de ação que também começa bem, mas fica longa demais. Tem algumas piadas com aquelas palavras tópicos do momento - “cancelamento”, “lacração”, o tApA dO WiLL sMiTh. Sempre com uma desconexão imensa do próprio universo. Agora todos os sets parecem aqueles do Saturday Night Live, com paródias de personagens que você conhece. Se antes, Deadpool fazia piada, agora parece que o mundo inteiro é uma piada. E uma piada sem graça. Chris Evans funciona muito bem para o que poderia ser algo extremamente forçado e sem graça. A montagem em que o Deadpool tenta achar o Wolverine certo tem um ritmo bem legal. Em geral é um filme bem mal filmado, assim como foi No Way Home. Mas lembro de duas cenas de ação que eu gostei: a do “corredor”, parecida com a de Oldboy, e a cena da briga no carro. Essa do carro tem até meu plano favorito do filme que começa mostrando a briga e depois mostra o carro de fora, balançando, ao pôr do sol, como se os personagens estivessem…você sabe. Muitas das referências “meta” são muito mais seguras do que eu acredito que o Deadpool dos dois primeiros filmes faria. O cara que estava do meu lado reagia às vezes até sem rir só fazendo um barulho mostrando que entendeu a referência aos dramas extra-filme que são comentados. Eu diria que mesmo que não tenha me feito gargalhar, as piadas sobre todo a questão Fox-Disney funcionam até certo ponto. Existe uma autocrítica…mas eu não chamaria de um ato corajoso. O MCU talvez finalmente tenha parado de lançar filmes que funcionam sozinhos. Como alguém que não assistiu os filmes do Blade, Demolidor e não entendi a a importância de ver Henry Cavill como Wolverine, personagens colocados aqui são muito mal implementados. Aqui existe uma versão muito estendida daquela cena de cameos de Multiverso da Loucura. É como se Alioth…o devorador desses personagens, fizesse um filme falando da importância desses personagens. A Disney quer comprar a Fox, utilizar os personagens que já foram dela, mas também quer que você não pare de re-assistir os filmes dos X-men. Um filme de comédia/ação sem muitas risadas e com pouquíssimas cenas de boa ação. Mas quem sabe no próximo filme o Deadpool fala que “o terceiro é sempre o mais fraco mesmo”.